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25/07/2018 - IMESF - Nota à imprensa sobre a greve nos postos de saúde

NOTA À IMPRENSA SOBRE A GREVE NOS POSTOS DE SAÚDE 
Sindisaúde-RS
 
Nós, do Sindisaúde-RS, fomos obrigados a concluir que o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, não gosta do povo que representa.
 
Na noite de 24 de julho, os trabalhadores do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (IMESF), que representam a maioria do contingente de trabalhadores dos postos de saúde da Capital, foram obrigados a aprovar uma greve geral por tempo indeterminado, com início marcado para o dia 31 de julho. 
 
Falamos “obrigados” não apenas por sermos o instrumento que a classe trabalhadora possui para defender seus direitos, mas sim devido ao cenário a que Marchezan conduziu a categoria: já são três anos sem repor as perdas salariais. Ou seja, não estamos sequer falando de aumento de salário, mas apenas de repor o que já foi consumido pela inflação. E a novidade agora é que o prefeito quer cortar 10% do salário do trabalhador, por meio da retirada da GID (Gratificação de Incentivo ao Desempenho).
 
Estamos há mais de 2 anos em mesas de negociação, e em mediações do Tribunal Regional do Trabalho; estamos há mais de 2 anos tentando evitar essa greve! No entanto, os representantes da gestão do IMESF, ao longo desse período, sempre afirmaram não possuir capacidade de negociação e depender de outras esferas. E nada avançava.
 
Enquanto entidade de classe e com responsabilidade frente à sociedade, temos nos perguntado: como o prefeito espera confirmar sua promessa de campanha, de que a saúde seria sua prioridade número 1, se não consegue sequer entender que um funcionário do IMESF, mesmo cumprindo a mais nobre missão, que é a de preservar vidas, é obrigado a atuar sob as mais tenebrosas condições de trabalho, com falta de materiais e absoluta insegurança nos postos de saúde? Se não consegue valorizar minimamente o trabalhador, pois resolveu que esses funcionários, que cuidam de vidas, não têm direito sequer a receber as perdas salariais dos últimos anos?
 
Mas, então, percebemos que estamos lidando com o mesmo político que, quando era deputado federal em 2016, afirmou sobre os trabalhadores que protestavam dentro da Câmara: “Quem é mais vagabundo e trabalha menos consegue colocar mais gente aqui”. 
 
No dia 18 de julho, realizamos uma grande paralisação com cerca de 2 mil pessoas. Quando chegamos à Prefeitura, tivemos de concluir o inevitável: realmente não é de agrado do prefeito Marchezan o contato com a classe trabalhadora. Mesmo com milhares de pessoas no Paço Municipal, o prefeito não quis nos receber para negociar.
 
Então, somos obrigados a concluir: a pessoa que governa a capital dos gaúchos não gosta de trabalhador, não gosta do seu povo e não tem a menor ideia de como se faz saúde pública de qualidade.
 
Só nos restou defender a categoria que representamos por meio do último instrumento disponível de luta para a classe trabalhadora: a greve geral.
 
À LUTA!
 
Assinado:
Direção do Sindisaúde-RS