Na terça-feira (5), O Sindisaúde-RS e trabalhadores e trabalhadoras da saúde realizaram ato em frente ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com mobilização em torno da Campanha Salarial 2026, da implementação das 180 horas e da reivindicação de reajuste no vale-alimentação.
A atividade reforçou a insatisfação da categoria diante da ausência de aumento real de salário há mais de cinco anos. Nesse período, os trabalhadores receberam apenas reajustes inflacionários, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que não acompanha a realidade do custo de vida. Na atual negociação, a proposta patronal se limita a 3,77% do INPC, índice considerado insuficiente pela categoria, que pede ao menos 5% de aumento real.
Outro ponto central do ato foi a luta pela jornada de 180 horas mensais para todos os trabalhadores do hospital. Em 2025, a direção do Clínicas interrompeu os estudos sobre a implementação da medida, alegando que o tema seria tratado no Plano de Cargos e Salários. Até o momento, não há garantia de avanço por parte da administração. A reivindicação ocorre perante um cenário global, onde vários países avançam no debate sobre redução da jornada de trabalho, com foco na qualidade de vida, na saúde mental e produtividade.
Também foi destacada a defasagem do vale-alimentação. Porto Alegre possui a terceira cesta básica mais cara do país, enquanto o Governo Federal reajustou o benefício dos servidores para R$ 1.192 em 2025. No entanto, desde março, não há retorno do hospital às demandas apresentadas pelos trabalhadores.
A trabalhadora Virgínia Barros Eleutério, assistente administrativa há mais de 35 anos no Hospital de Clínicas, relatou insatisfação com a falta de valorização da categoria. Segundo ela, os profissionais enfrentam um cenário de promessas não cumpridas e descaso por parte da gestão.
“Estamos há anos só ouvindo promessas que não se concretizam. Quem trabalha, cumpre seu papel e atende a população merece viver com dignidade. Não adianta só vir e sair. É preciso permanecer, lutar junto com os colegas e cobrar para que sejamos atendidos. Queremos respeito e o que é de direito de quem trabalha todos os dias”, comentou.
Durante o ato, o presidente do Sindisaúde-RS, Rudinei Silva, criticou a falta de valorização concreta da categoria. “Estávamos arriscando nossas vidas na covid, arriscamos na enchente e não deixamos a população sem atendimento. Não queremos apenas palmas, queremos aumento real. Cadê a nossa valorização? Não podemos aceitar apenas o INPC. Quem cuida de gente, merece aumento decente”, afirmou.
A próxima reunião de negociação da Campanha Salarial com a patronal, o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA), está marcada para segunda-feira (11).
Texto e fotos: Thales Renato Ferreira/Sindisaúde-RS - MtB 18.891








































