Ex-trabalhadores da área da saúde vinculados à Ulbra divulgaram um manifesto público denunciando a situação enfrentada após anos de espera pelo pagamento de direitos trabalhistas. No documento, a categoria critica a proposta apresentada pela mantenedora AELBRA, apontando irregularidades, insegurança jurídica e medidas consideradas prejudiciais, como o parcelamento de valores e a tentativa de quitação por meio de bens. Os trabalhadores também cobram a atuação de órgãos fiscalizadores e a garantia de pagamento integral dos direitos.
Confira nota na íntegra:
MANIFESTO PÚBLICO: O DESCALABRO DA ULBRA COM
OS TRABALHADORES DA SAÚDE
A comunidade da Região Metropolitana e de todo o Rio Grande do Sul assiste, com profunda indignação, ao que pode ser considerado um dos maiores desrespeitos à dignidade do trabalhador na história recente do nosso estado.
Nós, ex-trabalhadores da área da saúde da Ulbra, que dedicamos décadas de suor para sustentar a vida em nosso estado, somos agora confrontados com uma proposta de "acordo" pela Mantenedora AELBRA que fere não apenas a lei, mas a ética humana.
Nossa história é de entrega, mas o que recebemos em troca é o desprezo. Atravessamos os corredores da incerteza durante a pandemia, segurando a mão de quem sofria enquanto as promessas de quitação eram renovadas em Assembleias exaustivas. Validamos prazos, acreditamos na palavra empenhada e confiamos no respaldo jurídico da Recuperação Judicial, movidos pela esperança de que o suor do nosso passado garantiria a paz do nosso futuro.
No entanto, fomos tratados como "bolinhas de pingue-pongue" em um jogo cruel entre uma mantenedora que se esquiva e entidades que deveriam nos proteger, mas que se calaram. É um massacre emocional ver que a responsabilidade da instituição é novamente jogada para terceiros, enquanto colegas queridos já partiram desta vida esperando, sem nunca receber o que era seu por direito. Para eles, a justiça não apenas tardou; ela falhou. Não aceitaremos ser a "chacota" de um sistema que prioriza ativos em vez de gente.
O "FLAGELO" DO FGTS E A JUSTIÇA DE 40 ANOS
É um absurdo jurídico e social que depósitos de FGTS não recolhidos desde 2004 sejam agora objeto de um parcelamento de 180 meses (15 anos). Aceitar que um direito básico, de natureza alimentar, seja integralizado somente em 2041 é condenar o trabalhador a uma espera de quase quatro décadas. Justiça que tarda quarenta anos não é justiça; é omissão institucionalizada.
SALÁRIO SE PAGA COM DINHEIRO, NÃO COM "TIJOLOS”
A tentativa de quitar dívidas trabalhistas através da dação de imóveis (ativos de baixa liquidez) é uma estratégia de coerção inaceitável. O trabalhador da saúde tem contas que vencem hoje e não pode ser transformado em corretor de imóveis para ter o que comer. Transferir o risco do negócio para o bolso do funcionário fragilizado é um descalabro que não podemos tolerar.
PRIORIDADE INVERTIDA E FALTA DE GARANTIAS
Enquanto a instituição celebra o encerramento de fases da Recuperação Judicial e busca novos aportes financeiros, os direitos básicos de quem manteve os hospitais em pé são tratados como dívidas secundárias. Se não há liquidez hoje, qual é a garantia real de que haverá recursos para as promessas de "recompra" em 2026? Tudo o que foi acertado judicialmente anteriormente caiu por terra, retirando de nós, mais uma vez, qualquer segurança.
NOSSO CLAMOR POR INTERVENÇÃO
Solicitamos de imediato a ação positiva das entidades fiscalizadoras a favor dos ex-funcionários da ULBRA. Reiteramos que qualquer aporte financeiro real seja destinado, com prioridade máxima e absoluta, para a integralização imediata e em moeda corrente das contas de FGTS e as Ações Trabalhistas. O silêncio não é uma opção. Seguiremos mobilizados e vigilantes, pois nossa união é a nossa maior resistência.
Não recuaremos um passo sequer até que a justiça seja feita e a dignidade de cada ex-funcionário seja plenamente restaurada, pois estes processos estão se arrastando há anos e a inércia de muitas partes só nos causa dor e prejuízo.
Porto Alegre/RS, 10 de abril de 2026.
Ex-trabalhadores da ULBRA Saúde
*Imagem de capa gerada por inteligência artificial.
