Na última segunda-feira (28), a diretoria do Sindisaúde-RS esteve no Hospital Dom João Becker, em Gravataí, para apurar denúncias graves de superlotação na emergência. No local, a fiscalização encontrou portas fechadas: fomos informados de que nenhum membro da diretoria do hospital estava presente e que o acesso aos trabalhadores não seria permitido. A denúncia que motivou a visita apontava um quadro absurdo de sobrecarga, com um único técnico em enfermagem responsável por atender 19 pacientes.
O relato de Kênia Pâmela Dias expõe o drama e a angústia vividos pela família de seu pai, de 73 anos, internado no Dom João Becker. Desde a última sexta-feira (25), quando o idoso deu entrada após uma parada cardíaca, a família enfrenta uma rotina de falta de transparência, superlotação e descaso no atendimento. Além da ausência de boletins médicos regulares, a família descobriu apenas na segunda-feira (28), ao chegar para a visita, que o paciente havia sido transferido para a UTI sem que nenhum aviso prévio fosse dado.
“Não estamos pedindo tratamento diferente ou qualquer privilégio. Antes de toda essa situação, já havíamos procurado atendimento para meu pai porque ele apresentava falta de ar. Mesmo idoso e debilitado, permaneceu aproximadamente 26 horas em uma cadeira de rodas, sem sequer ter uma maca disponível para que pudesse deitar e descansar adequadamente. Estamos pedindo apenas atendimento digno, respeito e informações atualizadas.”, relatou Kênia.
Para o presidente do sindicato, Rudinei Ribeiro, a situação é insustentável:
“Um técnico atendendo 19 pacientes é inadmissível, eles estão botando o Coren deles em risco e o sindicato não vai aceitar isso. Nós iremos sempre denunciar quando for necessário e os trabalhadores também têm que denunciar.”
Para cobrar explicações e exigir soluções imediatas para essas graves irregularidades, uma reunião entre o Sindisaúde-RS e a diretoria do hospital está marcada para esta terça-feira (29).
